Incorporação da técnica de restauração atraumática por equipes de saúde bucal da atenção básica à saúde do Recife/PE

Cleiton Tiago Carneiro da Silva, Márcia Maria Cabral Dantas de Melo, Cíntia Regina Tornisiello Katz, Elaine Judite de Amorim Carvalho, Fábio Barbosa de Souza

Resumo


Resumo: Objetivou-se analisar aspectos referentes ao emprego da Técnica de Restauração Atraumática (TRA) nas atividades dos Cirurgiões-Dentistas (CDs) da Atenção Básica à Saúde (ABS) do Recife, no Distrito Sanitário IV, planejadas para o controle e tratamento da cárie dentária. Promoveu-se uma caracterização do perfil profissional e sobre aspectos relacionados ao emprego da técnica. Tratou-se de um estudo observacional de caráter descritivo. A amostra foi o universo dos CDs (23), que estavam em exercício profissional em 23 unidades de saúde do Distrito Sanitário IV, no primeiro semestre de 2017. Para a coleta de dados foi elaborado um questionário estruturado submetido à validação e foi aplicado face a face. A análise de dados realizou cálculos de estatística descritiva. Foram calculadas a distribuição de frequência absoluta e relativa das variáveis estudadas. Apenas dois dentistas não foram entrevistados por estarem afastados do trabalho, isto significou em uma perda de 8,69%. Prevaleceu entre os entrevistados a idade de 41 a 57 anos (52,83%); e o sexo feminino (80,95%); 80,95% ingressaram na ABS por concurso; 90,48% possuíam pós-graduação, sendo 80,95% na especialidade Saúde da Família. A maioria afirmou utilizar a TRA e que a ABS recomenda o uso (85,75%). A técnica era utilizada para restaurações provisórias e definitivas (61,11%) e quase 50% dos entrevistados relataram que a qualidade do produto interferia na execução, duração e adesão das restaurações. Os CDs indicaram a TRA para diferentes idades e condições de vida, onde prevaleceu o uso para crianças (42,86%) e gestantes (42,86%). A grande maioria dos CDs se declarou habilitado, mas com necessidade de capacitação (95,24%). Conclui-se que a TRA é indicada e está incorporada às práticas de cuidados da maioria dos entrevistados, contudo investimentos em educação permanente dos profissionais e provimento de material recomendado para o uso eficaz da técnica devem ser planejados.


Descritores: Atenção Primária à Saúde. Saúde Bucal. Cimentos de Ionômeros de vidro. Cárie dentária.


Texto completo:

PDF

Referências


(1) Ely HC, Abegg C, Rosa AR, Pattussi MP. Dental caries reduction among adolescents: temporal and spatial distribution in 36 Southern Brazilian municipalities. 2003 and 2011. Epidemiol Serv Saúde. 2014;23:421-3.

(2) Dobloug A, Grytten J. A ten-year longitudinal study of caries among patients aged 14-72 years in Norway. Caries Res. 2015;49:384-9.

(3) Carvalho, FS, Carvalho AP, Bastos RS, Xavier A, Merlini SP, Bastos JRM. Dental caries experience in preschool children of Bauru, SP, Brazil. Braz J Oral Sci. 2016;97-100.

(4) Cruz MGB, Narvai PC. Cárie e água fluoretada em dois municípios brasileiros com baixa prevalência da doença. Rev Saúde Pública. 2018; 52:28.

(5) Agnelli, PB. Variação do índice CPOD do Brasil no período de 1980 a 2010. Rev Bras Odontol. 2015;72:10-5.

(6) Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Projeto SB Brasil 2003: condições de saúde bucal da população brasileira 2002-2003: resultados principais. Brasília, DF: 2004.

(7) Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. SB Brasil 2010: pesquisa nacional de saúde bucal: resultados principais. Brasília, DF: 2012.

(8) Pucca GA, Gabriel M, de Araujo ME, de Almeida FCS. Ten years of a national oral health policy in Brazil: innovation, boldness, and numerous challenges. J Dent Res. 2015;94:1333-7.

(9) Silvestre JAC, Martins P, Silva JRV. O tratamento restaurador atraumático da cárie dental como estratégia de prevenção e promoção da saúde bucal na estratégia saúde da família. Rev Sanare. 2010;9:81-5.

(10) Kuhnen M, Buratto G, Silva MP. Uso do tratamento restaurador atraumático na estratégia saúde da família. Rev Odontol Unesp. 2013;42:291-7.

(11) Frencken JE. Evolution of the ART approach: high lights and achievements. J. Appl Oral Sci. 2009;17:78-8.

(12) Ministério da Saúde. Saúde Bucal. Brasília: Ministério da Saúde; 2006. (Cadernos da Atenção Básica; 17)

(13) Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Coordenação Nacional de Saúde Bucal. Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal. Brasília: Ministério da Saúde; 2004.

(14) Chibinski AC, Baldani MH, Wambier DS, Martins AS, Kriger L. Tratamento restaurador atraumático: percepção dos dentistas e aplicabilidade na atenção primária. Rev Bras Odontol. 2014;71:89-92.

(15) Busato IMS, Gabardo MCL, França BHS, Moysés SJ, Moysés ST. Avaliação da percepção das equipes de saúde bucal da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba (PR) sobre o tratamento restaurador atraumático (ART). Ciênc Saúde Coletiva. 2011;16:1017-22.

(16) Recife. Secretaria de Saúde do Recife. Plano Municipal de Saúde 2014 – 2017. Recife: Secretaria de Saúde do Recife; 2014.

(17) Recife. Prefeitura. Relatório anual de gestão – 2013. Versão preliminar. Recife: 2014.

(18) Freire MCM, Silva SA. Instrumentos de coleta de dados em epidemiologia da saúde bucal. In: Antunes, JLF, Peres MA. Epidemiologia da saúde bucal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006. p. 376-83.

(19) Boynton PM, Greenhalgh T. Selecting, designing, and developing your questionnaire. BMJ. 2004;328:1312-5.

(20) Carlotto CA, Raggio DP, Bonini GAVC, Imparato JCP. Aceitabilidade do tratamento restaurador atraumático pelos cirurgiões-dentistas do serviço público em São Paulo. Rev Assoc Paul Cir Dent. 2014;68:35-41.

(21) Schünke HM, Knorst J, Teixeira G, Reckziegel M, Alves L, Braun K, et al. Perception and knowledge of dentists in southern Brazil related to use of atraumatic restorative treatment in the public health service. Pesqui Bras Odontopediatria Clín Integr. 2016; 16:331-338.

(22) Matos, IB, Toassi, RFC, Oliveira MC. Profissões e ocupações de saúde e o processo de feminização: tendências e implicações. Athenea digital. 2013;13: 239-44.

(23) Cericato GO, Garbin D, Fernandes APS. A inserção do cirurgião-dentista no PSF: uma revisão crítica sobre as ações e os métodos de avaliação das Equipes de Saúde Bucal. RFO-UPF. 2007;12:18-23.

(24) Holmgren CJ, Roux D, Doméjean S. Minimal intervention dentistry: part 5. Atraumatic restorative treatment (ART) – a minimum intervention and minimally invasive approach for the management of dental caries. Br Dent J. 2013;214:11-8.

(25) Grossi JA, Cabral RN, Ribeiro APD, Leal SC. Glass hybrid restorations as an alternative for restoring hypomineralized molars in the ART model. BMC Oral Health. 2018;18:65.

(26) Frencken JE, Leal SC, Navarro MF. Twenty-five-year atraumatic restorative treatment (ART) approach: a comprehensive overview. Clin Oral Investig. 2012; 16:1337-46.

(27) Hilgert LA, de Amorim RG, Leal SC, Mulder J, Creugers NH, Frencken JE. Is high-viscosity glass-ionomer-cement a successor to amalgam for treating primary molars? Dent Mater. 2014;30:1172-8.

(28) Mickenautsch S. High-viscosity glass-ionomer cements for direct posterior tooth restorations in permanent teeth: The evidence in brief. J Dent. 2016; 55:121-3.

(29) Smales RJ, Ngo HC, Yip KH, Yu C. Clinical effects of glass ionomer restorations on residual carious dentin in primary molars. Am J Dent. 2005;18: 188-93.

(30) Da Franca C, De Góes MPS, Domingues MC, Colares V. A utilização do tratamento restaurador atraumático por odontopediatras. Arq Odontol. 2016;44: 30-4.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.