Ação Mediada e Ensino por Investigação: Um Estudo Junto a Alunos do Ensino Médio em um Museu de Ciências

Maria Margareth Cancian Roldi, Mirian do Amaral Jonis Silva, Patricia Silveira da Silva Trazzi

Resumo


Este artigo tem como objetivo analisar a mediação realizada em um museu de ciências durante uma atividade investigativa desenvolvida junto com um grupo de dez alunos de ensino médio de uma escola pública. A matriz teórica e metodológica foi a histórico-cultural e inspiradas na abordagem do ensino por investigação e na ação mediada. A pesquisa teve cunho qualitativo e colaborativo uma vez que uma professora de biologia e um pesquisador do museu de ciências trabalharam em parceria na elaboração de um roteiro investigativo que foi desenvolvido junto a um grupo de estudantes como parte de uma das ações do programa educativo do museu sobre a temática “répteis”. Os dados foram produzidos por meio de gravação de áudio e anotações em diário de campo durante o desenvolvimento da atividade. Para fins de análise, os dados foram selecionados e organizados em episódios que foram categorizados de acordo com os pressupostos do ensino por investigação: problematização e levantamento de hipóteses, teste de hipóteses e sistematização do conhecimento. As análises apontaram que durante o desenvolvimento da ação mediada, no contexto do museu de ciências, os alunos puderam vivenciar uma investigação científica participando ativamente do processo de construção do conhecimento. Evidencia-se aqui a importância de uma mediação pedagógica qualificada no decorrer da atividade investigativa, ressaltando-se a ação dos agentes operando com as ferramentas culturais disponíveis que contribuíram para potencializar o processo de aprendizagem dos conceitos biológicos abordados.


Palavras-chave


Ensino por Investigação; Mediação; Educação não formal; Museu de ciências.

Texto completo:

PDF

Referências


Azevedo, M. C. P. S. (2009). Ensino por Investigação: problematizando as atividades em sala de Aula. In A. M. P. Carvalho (Org.), Ensino de Ciências: unindo a pesquisa e a prática. (pp. 19–33). São Paulo, SP: Cengage Learning.

Bakhtin, M. (2009). Marxismo e filosofia da linguagem. (13a ed.). São Paulo: HUCITEC.

Borges, A. T. (2002). Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 19(3), 291–313. Recuperado de https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/6607/6099

Capecchi, M. C. V. M. (2013). Problematização no ensino de ciências. In A. M. P. Carvalho (Org.), Ensino de ciências por investigação: Condições para implementação em sala de aula. (pp. 21–39).São Paulo, SP: Cengage Learning.

Carvalho, A. M. P. (2017). Os estágios nos cursos de licenciatura. São Paulo: Cengage Learning.

Carvalho, A. M. P. (2013). O ensino de ciências e a proposição de sequências de ensino investigativas. In A. M. P. Carvalho (org.). Ensino de ciências por investigação: Condições para implementação em sala de aula. (pp. 129–145). São Paulo, SP: Cengage Learning.

Carvalho, A. M. P. (2009). Critérios estruturantes para o ensino das ciências. In A. M. P. Carvalho (org.), Ensino de ciências: unindo a pesquisa e a prática. (pp. 01–17). São Paulo, SP: Cengage Learning.

Franco, M. A. R. S. (2012). Pedagogia e prática docente. São Paulo: Cortez.

Gil-Perez, D. (1996). La metodologia científica y la enseñanza de las ciências: unas relaciones controvertidas. Enseñanza de las Ciencias: Revista de investigación y experiencias didácticas., 4(2), 111–121. Recuperado de https://www.raco.cat/index.php/Ensenanza/article/view/50876

Gil-Pérez, D., & Carvalho, A. M. P. (2000). Formação de professores de Ciências: tendências e inovações. (4a ed.). São Paulo: Cortez.

Hodson, D. (1998). Exploring and developing personal understanding through pratical work. In D. Hodson. Teaching and learning science: Towards personalized approach. (pp.143–154). Buckingham: Open University Press.

Mortimer, E. F., & Scott, P. (2003). Meaning making in secondary science classrooms. Maidenhead, Philadelphia: Open University Press.

Munford. D., & Lima, C. M. E. C. (2007). Ensinar Ciências por investigação: Em que estamos de acordo? Revista Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências. 9(1), 89–111. https://dx.doi.org/10.1590/1983-21172007090107

Marandino, M. (2010). Museus e educação: discutindo aspectos que configuram a didática museal. In A. Dalben, J. Diniz, L. Leal, & L. Santos (Orgs). Coleção didática e prática de ensino: Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente. (pp.89–400). Belo Horizonte: Autêntica.

Nascimento, S. S. (2010). A relação museu e escola na prática docente: Tensões de uma atividade educativa. In A. Dalben, J. Diniz, L. Leal, & L. Santos (Orgs). Coleção didática e prática de ensino: Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente. (pp. 370–388). Belo Horizonte: Autêntica.

Pough, F. H., Heiser, J. B., & Mcfarland, W. N. (2008). A vida dos vertebrados. (4a ed.) São Paulo: Atheneu.

Raith, S. (2016). The Meaning of Context: Upper Secondary Students’ Meaning-Making and Engagement with Analogue and Digital Artefacts in the Museum and at School. In O. Erstad, K. Kumpulainen, A. Mäkitalo, K. C. Shroder, P. Pruulmann-Vengerfeldt, & T. Jóhannsdóttir (Eds.). Learning across contexts in the knowledge society. (pp. 111–130). Rotterdam, Boston & Taipei: Sense.

Roldi, M. M. C, Soares, L. M. S., Pinheiro, R. F. M., Soares, R. B., Serpa, A. Pugnal, F. L., & Silva, M. A. J. (2016). Projeto jovens pesquisadores: ensino de biologia e divulgação científica em um espaço não formal de educação em Santa Teresa no Espírito Santo. Revista da SbenBio. 9. VI Enebio e VIII Erebio Regional 3, 574–684. Recuperado de http://www.sbenbio.org.br/wordpress/wp-content/uploads/renbio-9/pdfs/1659.pdf

Rowe, S., & Bachman, J. (2012). Mediated action as a framework for exploring learning in informal settings. In D. Ash, J. Rahm, & L. Melber (Eds.), Putting theory into practice:tools for research in informal settings. (pp. 143–163). Rotterdam, Boston & Taipei: Sense.

Sá, E. F., Lima, M. E. C. C., & Aguiar Júnior, O. (2011). A construção de sentidos para o termo ensino por investigação no contexto de um curso de formação. Investigações em Ensino de Ciências. 16(1), 79–102. Recuperado de https://www.if.ufrgs.br/cref/ojs/index.php/ienci/article/view/247/173

Schmidt-Nielsen, K. (1996). Fisiologia Animal: Adaptação e Meio Ambiente. São Paulo, Santos: Livraria Editora.

Trazzi, P. S. S., & Oliveira, I. M. (2016 b) O processo de apropriação dos conceitos de fotossíntese e respiração celular por alunos em aulas de Biologia Revista Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências. 18(1), 85–106. Recuperado http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S198321172016000100085&script=sci_abstract&tlng=pt 10.1590/1983-21172016180105

Trazzi, P. S. S., & Oliveira, I. M. (2016 a) Ação mediada no processo de formação dos conceitos científicos de fotossíntese e respiração celular em aulas de Biologia. Investigações em Ensino de Ciências. 21(2), 121–136. Recuperado de https://www.if.ufrgs.br/cref/ojs/index.php/ienci/article/viewFile/325/210.

Wertsch, J. V. (1991). Voices of the mind: a sociocultural approach to mediated action. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press.

Wertsch, J. V. (1999). La mente en acción. Buenos Aires: Aique.

Wertsch, J. V. (1998). A necessidade da ação na pesquisa sociocultural. In J. V. Wertsch, P. Del Río, & A. Alvarez (Orgs.). Estudos socioculturais da mente. (pp. 56–71). Porto Alegre: Artmed.




DOI: https://doi.org/10.28976/1984-2686rbpec2018183967

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2018 Maria Margareth Cancian Roldi, Mirian do Amaral Jonis Silva, Patrica Silveira da Silva Trazzi

Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (RBPEC) - e-ISSN: 1984-2686

Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional

Licença Creative Commons