[V1danar + (se) + (prep) + V2infinitivo] à luz da Gramática de Construções e da Gramática Cognitiva

Thaís Franco de Paula

Resumo


Este trabalho investigou, à luz dos pressupostos da Gramática de Construções e da Gramática Cognitiva, a perífrase verbal [V1danar + (se) + (prep) + V2infinitivo] usada no português brasileiro para expressar o que Paula (2014) chamou de aspecto inceptivo com prolongamento da ação. O objetivo deste trabalho é verificar se, conforme a teoria eleita, [V1danar + (se) + (prep) + V2infinitivo] pode ser considerada uma construção do português brasileiro. A análise evidenciou que, embora nas palavras de Goldberg (1995) "as construções têm significado, independentemente das palavras que compõem a sentença" (p. 1, tradução nossa, grifo nosso), questões cognitivas relacionadas aos esquemas imagéticos de FORÇA e MOVIMENTO que subjazem a todos os sentidos de danar influenciam no significado da perífrase. Isso, contudo, não nos impediu de a considerarmos uma construção, uma vez que os dados mostraram que [V1danar + (se) + (prep) + V2infinitivo] se constitui em um pareamento forma-significado, cujo significado não resulta da soma dos significados das partes da perífrase. Propomos que seja considerado que as construções têm significado, independentemente dos significados lexicais das palavras que compõem a sentença. Por trás de uma palavra, termo usado por Goldberg (1995), pode haver questões cognitivas relacionadas aos esquemas imagéticos que podem influenciar (não determinar totalmente) o significado da construção. Assumiu-se que as ocorrências da construção com os V1 danar, desandar, desatar, destampar e outros concorrentes que também tragam a noção de FORÇA e MOVIMENTO formam uma rede.

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DOI: https://doi.org/10.17851/2317-4242.9.0.1-13

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